Os “terríveis 2 anos” e a alimentação

Alimentação. Não aconteceu aqui em casa, mas recebi milhões de emails pedindo dicas sobre esse tema. Bebês que comiam bem e de repente pararam de comer ou selecionavam alimentos, ou não aceitavam frutas ou qualquer coisa que complicasse uma boa refeição. Texto “ótemo”na Coluna de Nutrição escrito pela Chefe de Papinha. Deixem seus comentários, adoramos responder.
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Ao se aproximarem dos 2 anos, os bebês que já estão em constantes transformações, começam a acelerar esses processos em velocidade e direções bem intensas e uma das primeiras coisas a mudar de forma drástica é a alimentação. Por estar deixando a fase oral, o bebê é intensamente atraído por outras formas de contato com o mundo, aprimorando seus sentidos, seus controles de ação e reação e seus interesses.
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Nessa fase, eles já mostram claramente suas preferências, por exemplo, por desenhos, brinquedos, estímulos e até mesmo pessoas. Todas as coisas ao redor chamam muito a atenção da criança e se torna absolutamente prazeroso entrar em contato com tudo, não necessariamente através da boca, o que acaba tirando o foco da criança do momento da refeição. Como se tudo ao redor fosse muito mais divertido do que sentar à mesa para comer. Além da relação com a boca já estar perdendo espaço para os outros sentidos, a relação com o sabor, cor, odor e aspecto da comida também varia bastante. Neste momento é fundamental não perder a tranquilidade para não cometer erros. Algumas dicas podem ajudar a enfrentar essa fase:
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  •  Nunca tente incansavelmente agradar o paladar da criança com trocas e substituições, como se fosse um restaurante com menu. Criança come o que tem na mesa, desde o tempo da vovó.

 

  • Jamais substitua um alimento saudável por um alimento com sabor forte, marcante, artificial, pois isso vai fazer a criança ficar cada vez mais seletiva.

 

  •  NÃO FORCE a criança a comer. Deixe-a tocar na comida, distrair-se com ela, criar uma boa relação com o horário da refeição. No caso de uma recusa definitiva, tire a criança do local, leve para outro ambiente, mas não ofereça outra coisa até que ela volte e termine a refeição. Por exemplo, se ela sair da mesa e poucos minutos depois pedir um biscoito porque está com fome, diga que o prato dela está prontinho esperando por ela. E pode esquentar o prato novamente. Não existe isso de oferecer comida fria!

 

  • Explique COM CALMA para a criança que aquele é o horário da refeição e, caso ela decida não comer, tudo bem, mas terá que aguardar até a refeição seguinte (o lanche da tarde, por exemplo) e ela pode ficar com fome até lá se não comer nada. A ideia não é simplesmente deixar com fome para comer, mas mostrar que as refeições são feitas em momentos determinados e o ideal é ela comer naquele momento.

 

  •  Seja firme. Se a criança pulou uma refeição, ela deve esperar a refeição seguinte. Não adianta nada servir o lanche da tarde meia hora depois da recusa do almoço. Também não vale bater uma vitamina para compensar o almoço recusado, dar fruta, dar mamadeira ou triplicar o lanche da tarde. Isso vai mostrar a criança que ela pode numa boa trocar comida por leite e o lanche aumentado pode atrapalhar a refeição posterior (o jantar).

 

  • Não faça chantagem com comida; não use a televisão ou tablet para fazer a criança comer sem perceber; não prometa uma sobremesa caso ela coma tudo. Isso só prejudica a relação da criança com a refeição. Ela deve comer porque quis comer, porque gosta de comer.

 

  • Vale usar o lúdico para explicar a importância da refeição, mostrar que a gente precisa da comida para ter energia para pular, brincar correr, cite personagens favoritos que também se alimentam de coisas saudáveis.
  • Use o reforço positivo e não o negativo. Muitas vezes sem perceber acabamos colocando na mente da criança o que ela não gosta e já servimos aquela comida pensando que ele não vai querer. “Meu filho não gosta disso”. Faça o contrário. “Olha, filho, mamãe fez a cenoura que você adora. Hummmm, essa abobrinha está uma delícia”.
  • Sempre faça das refeições um momento prazeroso. Ficar brigando a cada colherada só torna tudo mais estressante para todo mundo. Sente-se à mesa, coloque o prato na frente da criança e vá conversando sobre outras coisas. A refeição deve sempre ser um momento gostoso da família. Relaxada, a criança tende a se alimentar melhor.
  • Se você encheu o prato e a criança deixou algumas colheradas, NÃO A FORCE A RASPAR O PRATO. É importante que a criança perceba que você reconhece o “esforço” dela e que a refeição não acaba somente quando o prato está limpo. Tenha em mente que seu filho come um prato menor do que o seu e tudo bem.

 

Acima de tudo, compreenda que é um momento, como tantos outros que passaremos na vida, e que temos de achar alternativas adequadas para superá-lo. Não há razão também para entrar em pânico, pois cada dia é um dia, e amanhã, pode ser que seja diferente. Não chore na frente de seu filho, não grite, não se desespere. Isso fará ele ficar muito confuso, inseguro, assustado. Ele precisa confiar em você! Com criatividade e boas ideias, isso logo logo será resolvido.

 

Chefe de Papinha

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