Relato de parto – Nada mais do que quatro empurrões

Relato de Parto: Oi queridas, hoje, segunda-feira tem Relato de Parto aqui no blog, como de costume. O relato de hoje e’ da Karen mãe do foféeeeeeeerrrrimo Gustavo, que eu tive o prazer de conhecer. Esse é um relato de parto que, segundo ela mesma, foram apenas duas contrações e quatro empurrões para que o Gustavo pudesse ver a luz, dá um ânimo para quem tem medo de parto normal né? (para ver outro relato de parto normal com vídeo clique aqui). Se quiser mandar o seu relato de parto, veja logo abaixo como proceder.

 

Desde de antes de pensar em ficar grávida eu já tinha decido, teria um parto normal [ou PN]!
A ideia de o bebê escolher a hora em que iria nascer, de eu ter que ajudá-lo a vir ao mundo e de poder sair da sala de parto dando piruetas e dançando tango [é o que dizem da recuperação de um PN] , me encantava! A dor? Nunca me importei, tomaria anestesia [santa medicina!]

Ao longo da gestação fui lendo muitos livros, relatos de parto e conforme os meses foram passando me dei conta de algumas realidades que antes eu não conhecia:

– O bebê pode sentar nos últimos dias ou ter o cordão enrolado no pescoço, daí a cesária é mais indicada;
– Muitos médicos não fazem PN devido a demora e a disponibilidade;
– A anestesia só pode ser tomada a partir dos 5cm, senão atrasa o TP. O ideal? Aos 7cm de dilatação;
– A mãe pode precisar de ajudas como fórceps, episiotomia, etc;
– O trabalho de parto pode não acontecer naturalmente, prolongando a gestação até as 42 semanas…

Tudo isso me pareceu um tanto assustador e aquela ideia fixa de parto normal começou a me dar calafrios.
Apesar de eu estar bem tranquila quanto aos procedimentos e até à possibilidade de uma possível cesariana, caso fosse realmente necessário, o que mais me deixava nervosa era o fato de eu não saber quando iria acontecer! [A bolsa estouraria em público?]

Poucos dias antes de eu completar o 8º mês de gestação, uma conhecida beirou a 41ª semana e quase não conseguiu o seu parto normal. Outras duas amigas estavam com as suas cesárias agendadas, bem como a escova, a manicure e o hotelzinho do cachorro.
Como eu conseguiria fazer tudo, sem saber ao certo a data que ele chegaria?
Bom, uma coisa me deixou tranquila… Meu médico falou que se o bebê não chegasse até o dia 14/nov, ele iria buscar. [Ufa! Eu teria o meu bebê por cesária e nem seria culpa escolha minha. =D]

Eu tinha um pressentimento de que ele nasceria antes das 40 semanas… [Ok, não era nada de pressentimento, era um misto de desejo e ansiedade mesmo…] Mas de tanto falarem que o primeiro filho geralmente atrasa, desencanei e me contentei com essa linda data que seria lembrada pro resto da minha vida… 14/nov.. [ou não!]

Organizei a minha vida dessa forma… Sairia de licença do trabalho com 38 semanas, podendo descansar e definir os últimos detalhes que ainda faltavam. Ainda precisava ir atrás dos bem nascidos, do enfeite de porta da maternidade, do hotelzinho da cachorra e terminar de fazer as malas. Duas semanas seriam suficientes!

Era uma quarta-feira, véspera do dia que completaria as 38 semanas e penúltimo dia de trabalho. Imagina a correria… Estava preparando tudo pra ficar 6 meses longe, literalmente, ‘passando o bastão’. Cheia de reuniões e vários post-its pra não esquecer nenhum item que eu deveria passar a quem cuidaria do meu serviço… Marcamos o almoço de despedida para a quinta-feira, afinal, só os veria novamente em 6 meses…

Terminou o meu dia, fui pra casa super feliz e ansiosa pelos meus 15 dias de descanso, já estava mais do que exausta! [Quem trabalha 9h por dia, num entra e sai de reuniões e e-mails, carregando um barrigão, sabe exatamente do que eu estou falando…]
Nessa noite nem me lembro bem o que eu fiz, só sei que à meia noite acordei pra fazer [mais um] xixi. Fui, voltei, tudo certo… Quando eu estava deitando de volta na cama [literalmente, um pé no chão e outro na cama] ouvi um PLOC! e a água começou a escorrer na minha perna.
Dei um gritinho de susto e o marido pulo da cama falando “Que foi?”. Eu só respondi… “A bolsa…….estourou!” [sentindo uma mistura de “finalmente” com “pqp!”].
Confesso que eu não fazia ideia do que deveria fazer! Eu tinha uma consulta na sexta-feira onde o médico me explicaria os procedimentos caso entrasse em trabalho de parto. [Eu ainda não sabia.. Ele não podia nascer ainda!!!]

A essa altura o líquido já jorrava como uma torneira aberta… Coloquei um absorvente noturno, dei três passos e vazou. Troquei. Mais três passos e vazou de novo. Olhei pra toalha de rosto pendurada no banheiro [ela olhou pra mim] e pensei “vai ser isso mesmo”…!

Como eu não sentia dor, contração, absolutamente nada [além daquela aguaceira saindo de mim], falei pro marido voltar a dormir enquanto eu terminava de fazer algumas coisas…
Arrumei a casa, deixei tudo em ordem… Lavei uma loucinha que estava na pia, terminei de fazer as nossas malas, alinhei as cadeiras da mesa de jantar [sim, eu tenho TOC], tudo na maior tranquilidade… [Acho que só não marquei uma manicure porque era madrugada, senão…]
De repente comecei a pensar.. “Ué, se tá saindo tudo isso de líquido, o bebê vai ficar sem nada, né?!” Foi aí que me dei conta de que minha barriga estava meio murcha [Aff!!]… Resolvi entrar no Google e procurar “O que fazer quando a bolsa estoura”. [Para! Não ri de mim.. Vai dizer que você não faria isso também?!] Pro meu susto o resultado da busca, resumindo bem, era “CORRE PRO HOSPITAL”..!
Fui tomar um banho [daqueles que rola até uma depilação nas pernas.. aaaaff!], acordei o marido e falei “Amor, acho que a gente tem que ir pro hospital…”.
Você deve estar se perguntando por que eu não liguei pro meu médico, né? A verdade é que eu sou filha de médico e sei bem como é um saco paciente ligando de madrugada pra qualquer coisinha [qualquer coisinha????]

Enfim, saímos de casa às 4h da manhã, na maior tranquilidade [mentira], ainda paramos pra abastecer o carro e eu, de vestido, com uma toalha de rosto [a segunda já] em forma de absorvente [#MeSentidoUmaFormiga].
Chegamos no hospital, sem dor, sem contrações…
Triagem, exames, cardiotoco, toque… 2cm de dilatação e 3 contrações a cada 10min [pois é, eu não sentia]!!!
A enfermeira ligou pro meu médico, me deu uma sacolinha e falou pra colocar todos os meus pertences tipo brincos, colares, alianças, que seriam entregues ao meu marido. [MAS JÁÁÁÁ???] Não tinha avisado ninguém, não tinha encomendado os bem nascidos, nem tinha enfeite de porta. [Meu filho chegaria ao mundo com uma folha de caderno colada com durex, escrito seu nome à Bic, que deprimente!] Ela me falou “Você vai direto pra sala de parto e só sai de lá quando o bebê nascer”. [Mas peraíííí… Olha meu estado! Um rímel? Um lápis? Talvez uma base e um blush, pelo menos, pra dar aquela saúde? Que nada!]

Lá fui eu, de cadeira de rodas, entrei no centro cirúrgico e fiquei lá, sozinha na sala de parto até o marido chegar vestido de futuro papai [tão lindo que quase chorei].

Ali começavam as contrações… Fraquinhas, dava até pra rir e fazer piada…
Não sei precisar quanto tempo se passava entre uma e outra naquela altura, só sei que começou a doer e muito!
Devido a demora pra evoluir e à bolsa já ter rompido, me deram Ocitocina [hormônio do demônio!], que fez as contrações voarem.. uma atrás da outra.

 

relato de parto

Banho de banheira, massagem, rebolado, nada fazia aquela dor passar… e eu não vou mentir… Nos primeiros dez minutos já chamei a enfermeira e clamei, supliquei, implorei por uma cesariana.
[Acho que a danada tinha feito uma aposta com as outras enfermeiras, que aquele parto normal seria dela!] Toda jeitosinha, ela me convenceu [umas 100 vezes] de que o parto normal era muito melhor pra mim e pro bebê [blá, blá, blá.. eu já sabia de tudo aquilo, quem disse que queria ouvir?!]
A cada vez que ela entrava no quarto eu olhava com olhinhos de gato do Shrek pra ver se ela me acudia, mas não, foi durona!

Mais um toque e… Mais 1 cm… Que maravilha, estava evoluindo.. E as contrações também… UI!
Quando cheguei aos 5 cm, ergui as mãos para o céu e chamei pelo homem que tanto esperava ver… ANESTESIA!!!
“Ok, já chamamos o anestesista, ele está a caminho…” [‘A caminho’, entende-se ‘No corredor ao lado’, ‘Na sala 6’, sei lá… Mas ninguém me contou que ele estava em casa, saindo do banho..!!]

Quando, finalmente, ele chegou eu já estava com 7 cm, contrações com intervalos de 2min e uma dor que jamais saberei descrever…
De repente lá estava eu, sorrindo e sem dor… [quase vendo os Beatles cantando “Yellow Submarine” ao vivo!]

Dos 7 aos 10cm ainda demorou umas 3 horas, mas aí… Podia passar um caminhão por cima de mim que eu tava ZEN…

Cadê o Dr.? Quando a enfermeira [que ganhou o bolão do parto normal] percebeu que eu já estava com 10cm e o médico ainda não havia aparecido, a moça ficou pálida, puxou um banquinho e sentou ao meu lado: “Agora só saio daqui quando ele chegar… Se esse bebê nascer e eu não estiver aqui, sou demitida!”
[Ah! Maravilha ouvir isso, não? Hahaha! Agora já sabia com quem ela tinha feito o bolão do PN… Com o chefe dela!]

Lá vem o doidinho do meu médico [lindo e querido.. todo suado, estropiado, coitado!] pelo menos estava pronto pra tirar o meu bebê!
Vamos lá… Empurra… 1..2..3.. “Fulano, dá uma ajuda aqui.. empurra ali..”
[O legal da anestesia é que você não sente nada, mas vê tudo… O ruim da anestesia é que você não sente nada e vê tudo!]

Duas contrações, quatro empurrões e nasceu o meu pequeno garoto, às 17:16, do dia 31/ago [dia das bruxas!], com 50,5 cm e 3.355 kg!
Lindo, todo sujinho de sangue, gordinho, com os olhos arregalados, mirando a mamãe! Não chorou.. [Não chorou? Ai meu Deus, chora aí bebê…]
Enquanto eu mal respirava, tentando não perder nenhum detalhe do meu filho sendo limpo, enrolado, cutucado e empulseirado, o papai e o médico falavam de Corinthians e Palmeiras [homens!]

Depois de pronto, nos trouxeram aquele pacotinho [que parecia ter sido entregue pelos Correios] lindo, cheiroso e super atento aos rostos da mamãe e do papai… Que emoção! Que sensação maravilhosa!

Só depois fiquei sabendo que o médico precisou usar fórceps de alívio e fazer uma episiotomia de 10 pontos [uuui!] mas só me importava aquele serzinho minúsculo, indefeso e completamente perfeito!

O meu parto foi normal… Às 38 semanas completas… Durou 17 horas e doeu demais! Mas meu bebê nasceu saudável e mamando super bem!
relato de parto

 

A Karen é autora do blog Mamãe de Casa (clique aqui) o qual eu sigo pelo Instagram também (clique aqui)

 

 

 

relatodeparto

 

 

Nota: Esse espaço está destinado ao compartilhamento de partos, considerando esse momento um dos momentos mais lindos e abençoados de cada mamãe.

Não aceitamos nenhum tipo de discriminação e comentários inadequados serão removidos porque o Clube da Fraldinha acredita que o respeito vem acima de qualquer coisa.

1 Comment on Relato de parto – Nada mais do que quatro empurrões

  1. Karen Martins Bussacarini
    10/30/2014 at 19:38 (5 anos ago)

    Que delícia, Mari, depois de exatamente 1 ano desse dia tão especial, reler o meu próprio relato e sentir toda a emoção de novo! Obrigada pelo post e sucesso no blog! Bjo!

    Responder

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