Ser mãe é fácil, o difícil é todo o resto

Estou nesse barco há apenas 3 anos e reflito muito sobre ser mãe, num desses momentos de imersão em mim mesma descobri que o difícil de ser mãe é todo o resto.

ser mãe

Tenho estado, desde o início do ano tentando organizar minhas tarefas com a nova rotina escola do Théo e dando um repasso rápido em cada dia me senti engaiolada na minha própria vida.

Logisticamente falando não sobra tempo nem pra almoçar, ou se almoçar tenho que escolher entre arrumar a cozinha para logo mais preparar a janta ou tomar um banho no break (vulgo soneca) para pegar folego para o segundo round a não ser que eu almoce às 11:15 AM com ele. Ao meio dia um dia de mãe, o relógio já parece badalar 6 PM.

Fui tripulante de navio e como estão cansados de saber o labor é duro, poucas horas de descanso e nenhum dia livre (oh! pasmem). Vivia seguindo uma folha de tarefas e um jornal de bordo, então rotina corrida é comigo mesmo, mas o que vivemos já é abuso.

Bebês dão muito trabalho, demandam a mãe fortemente e sugam toda a energia da coitada puérpera que vive a expectativa do daqui a pouco melhora. Mas não melhora, na verdade piora porque seu bebê já não é mais um bebê, sua prima, sua mãe ou sua ajudinha já não está mais presente, você passa a não suportar viver na bagunça e ninguém mais te dá aquele desconto nas obrigações da casa que te dão por ter um bebe recém-nascido. É aí que as outras funções começam a brotar.

Almoço e jantar de adulto, almoço e jantar de filho. Feira, açougue, supermercado, louça, roupa (ahhh a roupa que poder de multiplicação), cama, catação de objetos, e ainda que você faça rodízio de limpeza nunca fica totalmente limpo, exceto no santo dia da faxineira. Por isso que eu digo, por mais apertado que esteja não abra mão da faxineira nem que seja quinzenal, porque a partir do dia que você abrir mão será missão quase impossível tê-la de volta.

Deveres da casa cumpridos você até tenta se dedicar um tempinho, cortar as unhas, lavar a cabeça, fazer uma depilação (calma gente, não é tudo no mesmo dia, é tipo uma coisa por mês…hahahaha) e ir à academia (sim você pode e você quer, pelo menos eu luto contra a flacidez, abafa o caso). Vontade não falta.

Esse momento é muito bom, até pensa em fazer uma limpa no armário e cortar o cabelo, você lembra que existe e começa a renascer o desejo de liberdade, independência e o gongo de preciso voltar a trabalhar começa a bater (teinnnn teinnn teinnn). Se não é por dinheiro, é por satisfação, ego e auto-estima, e loooogo logo também será por dinheiro.

Aqui nos dividimos, umas voltam literalmente, às quais acrescentamos mais uma jornada dura à lista de tarefas e outras tentam nadar como loucas no oceano do empreendedorismo em busca da tão sonhada flexibilidade de horários (aquela porcaria de home office).

Agora, melhor parar de falar de nós mesmas e lembrar que temos marido….ah sim. Como esquecer não é? Quase um segundo filho, aprendendo regras de convivência, aprendendo a ser pai com a rapidez de um cágado e claro, querendo atenção na esperança encontrar a mesma mulher `cheia de fogo` pela qual se apaixonou há OOO anos atrás. Ahhhh e ainda acha ruim se você disser que não teve tempo para pagar aquela conta que ele pediu. Salve-se quem puder.

Fim de semana chega e com ela amigos e familiares, … quantos palpites e mimimis. Se não é da sogra é da cunhada, se não é da mãe é da irmã. Sem contar o papo furado desgastante dos parquinhos e porta de escola com críticas, fofocas, reclamações e julgamentos que nenhuma se livra. Estou numa fase, entro muda e saio calada.

Enquanto isso, seu bebê está com os últimos molares nascendo, entrou nos terrible two, adaptação escolar, não quer comer, só diz não!, possível desfralde, duro pra dormir, te cansa, te estressa, te faz perder a paciência, Ó NÃOOOO. E a paciencia foi pro brejo. Mas, como assim? …tadinho, ele não fez nada, ele só está sendo ele, um bebê!!!

Quem te cansou amiga, foi todo o resto. Quem acabou com a sua paciência, foi todo o resto. Sua rotina, a pressão psicológica do trabalho, suas duras tarefas extras, a casa, a falta de tempo pra você, suas expectativas talvez frustradas, sua auto-estima baixa, seu peito caído, seu marido, o blablabla, o mimimi e o cócócó. Deu que me livre!! Ser mãe é bom demais, porque não podemos ser `apenas` mães?

7 Comments on Ser mãe é fácil, o difícil é todo o resto

  1. Adriana Damasio
    03/03/2016 at 01:33 (3 anos ago)

    Perfeito o texto… É bem assim mesmo e mais um tanto!!!
    Porém, contudo, entretanto… a vida segue!
    E viva nós!!!!!

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  2. MARCIATEDE
    03/08/2016 at 14:36 (3 anos ago)

    QUE TEXTO MARAVILHOSO!!!!! AMEI!!

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  3. Mônica Nascimento de Souza Lima
    05/30/2016 at 11:43 (3 anos ago)

    Meu Deus!!! você falou tudo e mais um pouco.. #realidade Oooo céus.. rsrrss… e como digo ser mãe é um eterno aprendizado!! que Deus nos dê o dom de renovar nossa paciência! amém! adorei seus textos! te achei bem realista e espontânea.rs. grande bjoooo! Deus te abençoe!

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